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Conheça a grande influência da cultura chinesa no Peru

Estima-se que a migração chinesa para o Peru tenha sido uma das mais longas da história da América Latina, tanto em duração quanto em sua extensão geográfica. A sociedade peruana está profundamente influenciada por essa cultura, que deixou uma marca inegável.

Essa influência ajudou a construir as bases de muitas tradições, não só do Peru, mas de toda a América Latina, embora muitas vezes subestimadas ou pouco conhecidas, por não terem recebido a devida valorização.

A história da comunidade chinesa e sua integração no Peru tem sido notável. Hoje, os descendentes desses imigrantes estão plenamente integrados à sociedade peruana, apesar de que, no passado, os primeiros chineses chegaram em situação de extrema vulnerabilidade e enfrentaram rejeição. Com o tempo, isso se transformou, e sua presença é atualmente considerada de grande importância.

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Antecedentes históricos e origem

A relação entre Peru e China começou entre os anos de 1849 e 1872, quando cerca de 100 mil imigrantes chineses — erroneamente chamados de “chinos culíes” (termo que deriva de uma palavra chinesa que se refere a trabalhadores forçados) — chegaram ao Peru.

Nesse período, o Peru enfrentava escassez de mão de obra, e os imigrantes chineses foram contratados principalmente para substituir os antigos escravizados africanos, que haviam sido libertados por completo em 1840. Assim, os chineses passaram a ocupar essas posições de trabalho forçado, principalmente nas plantações de algodão e açúcar.

Segundo Shixue (2006), havia dois setores principais nos quais a imigração chinesa era vantajosa para o Peru. O primeiro foi o trabalho nas fazendas de algodão e açúcar; o segundo, a extração e exportação de guano — excremento de aves —, que era altamente valorizado como fertilizante agrícola em diversas partes do mundo.

Os chineses sempre foram reconhecidos por sua ética de trabalho incansável e sua disciplina, características que tornaram a China uma potência mundial.

A grande oportunidade oferecida pelo Peru entre 1840 e 1880 no setor agrícola — período em que o país se tornou o principal exportador mundial de guano — marcou a economia nacional. O guano era exportado para a Ásia e Europa e, junto ao aumento da produção de açúcar, transformou o Peru em um importante fornecedor global (Lausent, 2006).

Mistura sociocultural e gastronômica

Os chifas

Ao superar estigmas, a comunidade chinesa fincou raízes no Peru, preservando valores, tradições e costumes que se integraram à cultura peruana. Um exemplo emblemático disso é o bairro Chinatown em Lima, o mais famoso da América do Sul, onde se encontram comércios, lojas e mercados com produtos tradicionais chineses.

Restaurantes chifas (fusão da culinária chinesa com a peruana), associações culturais, templos e eventos típicos fazem parte da rotina do bairro. Visitar essa área de Lima é como fazer uma viagem à China sem sair do Peru.

O número de chifas aumentou exponencialmente. Estima-se que existam mais de 5 mil desses restaurantes só na capital. É comum ver placas vermelhas e verdes com os nomes desses estabelecimentos.

Alguns estudiosos afirmam que a palavra “chifa” é um peruanismo derivado das palavras chinesas “chi” e “faan”, que significam “comer arroz”. No entanto, novas pesquisas indicam que “chifa” vem da união das palavras cantonesas “chiu” e “faan”, que significam “cozinhar”.

Assim, quando os garçons anunciavam que a comida estava pronta, gritavam “chiu – faan”, até que nasceu a palavra “chifa”.

Os hashis (pauzinhos chineses)

O uso dos hashis ultrapassou fronteiras devido à grande influência da China no mundo. No entanto, poucos sabem como eles surgiram.

Segundo algumas teorias, os pauzinhos começaram a ser usados para retirar ou colocar alimentos no fogo. Outras versões mencionam que o próprio Confúcio defendia a ausência de facas e objetos cortantes à mesa, como forma de promover harmonia.

Como os alimentos já eram cortados em pequenos pedaços antes de serem servidos, os hashis eram ideais. Esse costume se espalhou para países como Tailândia, Vietnã, Japão, e hoje também é comum no Peru, principalmente em restaurantes chineses e japoneses (como os de sushi).

Contos chineses

A expressão “histórias inventadas” ou “mentiras” muitas vezes é associada à ideia de narrativas exageradas. Rubén Tang explica que esse significado pode ter sido atribuído às histórias contadas pelos primeiros imigrantes chineses no Peru.

Vindos de um mundo distante e com uma cultura totalmente diferente, muitos relatos eram difíceis de acreditar. No entanto, o intercâmbio cultural entre peruanos e chineses tem sido constante — e tudo indica que continuará sendo assim.

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Fonte da imagem destacada:
https://gestion.pe/economia/ano-nuevo-chino-aportes-del-gigante-asiatico-en-la-cultura-de-negocios-del-peru-noticia/

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